AS QUATRO ESTAÇÕES

Costumamos dizer que Brasília vive as quatro estações em um dia. Amanhecemos no inverno, com frio. Durante a manhã, chega a primavera, a temperatura vai subindo. Na hora do almoço estamos em pleno verão, morrendo de calor. No meio da tarde chega o outono, começa a esfriar e à noite voltamos ao inverno. E assim vamos vivendo.

Muitos de meus dias são assim. Vejamos, por exemplo, o que aconteceu ontem.

Acordei com a cabeça pesando 100 kg. Acontece muito, é comum. Rodava de um lado para outro na cama, não havia forças para me levantar. E eu precisava terminar uma monografia que vou entregar daqui a pouco para a professora do Mestrado.

Sentei na cama três ou quatro vezes e caía de novo, não conseguia me levantar ao pensar na tarefa enorme que tinha pela frente. Por volta de 10h eu venci. Abri a janela, providência que adotei há algum tempo e me ajuda muito. Ver a luz do sol dá uma nova perspectiva ao dia, mesmo que não resolva em nada a dor que me aperta o peito.

Arrastei-me ao banheiro. Depois, até a cozinha, para tomar café. Sérgio estava na sala assistindo corrida, sentei no outro sofá e fiquei ali um pouco. Acabada a corrida, reuni toda a pouca energia que tinha, me levantei e disse que tinha que ir estudar.

Fui ao quarto, olhei para a cama desarrumada. Pensa na vontade de me deitar de novo. Não sei de onde, surgiu um fio de energia e resolvi arrumar a cama. Pronta a cama, decidi tomar banho.

Há alguns meses, estou fazendo coaching com a Nane Werner (recomendo muito, visite o site dela: Nane Coach). Estamos organizando minha rotina. Na semana passada, ela me enviou um texto muito interessante sobre rotina matinal (minha maior dificuldade está nas manhãs). Basicamente o que já tínhamos planejado, com uma adição que eu gostei: um banho para despertar. Resolvi, ao ler o texto, adotar a rotina sugerida e incluí esse banho na minha manhã. Assim, depois de arrumar a cama, fui para o banho. Saí de lá outra.

Tinha chegado a primavera. Cadê todo aquele peso da depressão? Onde foi parar a melancolia, a angústia, a falta de energia? Sumiu tudo! Assim, sem explicação.

Concluí a monografia, estudei o dia inteiro, até mais de 20h. O principal: me sentindo bem disposta e animada. Sem qualquer traço de mal-estar.

Aí… recebi um telefonema. Meu tio Bide, que mora em Londrina, estava sendo internado. Está com 92 anos. Foi operado há duas semanas, e é a segunda vez que precisa voltar ao hospital. Falei com ele, que me disse que já viveu 92 anos e está pronto para partir. Eu reagi na mesma hora e falei que EU não estou nada pronta para a partida dele. Meu tio tem a risada mais gostosa do mundo. E deu uma gargalhada alegre, enquanto eu engolia minhas lágrimas. Não queria que ele voltasse para o hospital.

Então, voltou o inverno. Eram 4h da madrugada e eu estava me arrastando pela casa, com o choro preso na garganta. Tomei mais remédio para dormir e consegui apagar. Acordei hoje em pânico e, assim que reuni coragem, liguei para Londrina. Ele está bem. Bravo porque nosso Galo Forte Vingador não jogou bem ontem.

Eu? Depois de conseguir chorar o que ficou preso durante a noite, me levantei e vim fazer a última revisão da monografia para imprimir e levar para a professora. Me arrastando. Empurrando o carro com o freio de mão puxado. Com um aperto enorme no peito, vontade de voltar para a cama, chorar e dormir.

Se você leu nas entrelinhas, sabe que meu tio não está mal. Eu é que estou. Depressão é assim. Não é a situação que te faz ficar deprimida, é a depressão que te faz ver as situações sob lentes bem distorcidas…

E assim vamos vivendo – inverno, primavera, verão, outono, inverno… às vezes, tudo num dia só.

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